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FORMAÇÃO PELA LEITURA POR QUE SEUS FILHOS PRECISAM DE BONS LIVROS, E NÃO APENAS DE LIVROS?

Atualizado: 11 de ago. de 2025


Por Thiara Bruna


Outro dia, enquanto organizava as leituras da semana aqui em casa, percebi como é fácil cair na armadilha moderna de achar que qualquer leitura serve, desde que a criança esteja “com um livro na mão”. Quantas vezes escutamos por aí: “Ah, pelo menos ele está lendo!”. Mas será que isso basta?


Como mãe educadora, sei que não. A leitura não é um fim em si mesma. Ela é um caminho. E como todo caminho, pode levar para a luz… ou para a escuridão.


Como bem escreveu C.S. Lewis:

"A tarefa da educação moderna não é cortar as florestas, mas irrigar desertos."

Em tempos de corações secos e imaginações adormecidas, cada bom livro oferecido com intenção é uma gota de vida sobre o solo da alma.


Duas coleções extremamente populares : Diário de um Banana, Diário de Pilar  têm sido indicadas até mesmo por escolas. São vistas como porta de entrada para o hábito da leitura. Mas precisamos perguntar com coragem: o que exatamente essas histórias estão ensinando aos nossos filhos?

O que está em jogo quando deixamos “ler por ler”?


Em Diário de um Banana, encontramos um protagonista que ridiculariza a autoridade, mente, manipula e segue seu caminho sem enfrentar grandes consequências. A “graça” da narrativa reside na sua tolice. O problema não está no humor, mas no que está sendo normalizado. O personagem principal, Greg, muitas vezes se mostra desonesto, egoísta e desrespeitoso e nunca parece aprender com suas ações. A “moral da história”, na maioria das vezes, é inexistente. Ou pior: a mensagem que se passa é que ser tolo e inconsequente é algo engraçado e aceitável. Quando o riso se baseia em erros não corrigidos, estamos moldando sentimentos, não apenas proporcionando entretenimento.


Já em Diário de Pilar, o problema é mais sutil: sob a aparência de cultura e curiosidade, as crianças são introduzidas a mitologias pagãs, espiritualidades estranhas, sem nenhum filtro. Mas por trás dessa proposta, há uma exposição precoce a cosmovisões contrárias à fé cristã tais como: politeísmo e relativismo moral. Pilar é apresentada como curiosa e corajosa, mas o que sua curiosidade explora são caminhos religiosos, históricos e simbólicos (breve um post aqui sobre como entender sobre símbolos, mitos e arquétipos) que afastam a criança da verdade do Evangelho e introduzem o encantamento por ídolos antigos, sob o pretexto de “conhecimento”. A personagem explora o mundo..., mas sem nenhuma âncora. E onde não há raiz, qualquer vento arrasta. Essa série de livros são modinhas contemporâneas bem embaladas, ilustradas e vendidas como empoderamento e estímulo à leitura, mas com pouca ou nenhuma profundidade literária, moral ou estética.


O que essas duas séries possuem em comum? Ambas seguem a lógica de “literatura fast food”: são consumíveis, fáceis, coloridas, e não exigem esforço da imaginação ou reflexão moral. Como disse C.S. Lewis, “uma criança que lê bons livros, lerá qualquer livro; uma que só lê livros ruins, provavelmente não lerá bons livros depois”.


Esses livros não são neutros. Nenhum livro é. Toda história forma. Toda história molda, toda leitura semeia, ainda que de imediato não percebamos.


G.K. Chesterton dizia com sabedoria:

"Contos de fadas não dizem às crianças que dragões existem. As crianças já sabem que dragões existem. Contos de fadas dizem que dragões podem ser vencidos."


Essa é a função das histórias verdadeiras: mostrar que o mal pode ser enfrentado, que o bem é possível e que há redenção mesmo quando as trevas parecem dominar.

O que está em jogo?


Ao entregar à criança esse tipo de literatura, mesmo que com boas intenções, plantamos uma semente. A da zombaria, do desinteresse pelo bem, da relativização do mal, da adoração a múltiplos deuses ou da aceitação de valores fluidos. E essa semente cresce. Em um mundo que já bombardeia os pequenos com confusão moral e desordem emocional, precisamos ser ainda mais criteriosos.


Ler, sim. Mas ler o que enobrece, o que é bom, o que é verdadeiro.

Resumo e perguntas reflexivas : Literatura Infantil Popular x Formação Cristã Clássica.
Resumo e perguntas reflexivas : Literatura Infantil Popular x Formação Cristã Clássica.

O que oferecer, então?


Não basta ler. É preciso ler o que forma. O que nutre (em breve um post aqui sobre imaginário infantil). O que aponta para o bem, para o belo e para o verdadeiro. Ao invés de mitologias vazias, ofereça J. R. R. Tolkien, C. S. Lewis, George Macdonald . Ao invés de piadas sem arrependimento, ofereça E.B. White, com Charlotte uma aranha que ensina sacrifício e amizade real.  


Caso você me pergunte quais livros oferecer aos seus filhos, eu poderia sugerir e até irei oferecer a seguir alguns títulos. No entanto, meu conselho é que comece pelos clássicos. Encha sua casa com essas obras atemporais e, em breve, você testemunhará a mágica da fluência na leitura florescer.


Veja alguns exemplos que tenho usado aqui com minhas filhas, e que têm florescido frutos visíveis no coração e no comportamento delas:


  • As Crônicas de Nárnia — para quem busca aventura e fantasia que apontam para Cristo.

  • O Peregrino, de John Bunyan — para apresentar a jornada cristã com clareza e simbolismo.

  • O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett — para ensinar sobre cura, esperança e renovação.

  • Robinson Crusoé, de Daniel Defoe — uma história de fé e sobrevivência sob a providência divina.

  • Heidi, de Johanna Spyri — um hino à gratidão, à fé e à beleza da criação.

  • A Teia de Charlotte, de E.B. White — uma fábula sobre amizade, sacrifício e propósito.

  • A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Roald Dahl — lições morais claras em uma história cativante.

  • A Princesa e o Goblin, de George MacDonald — fantasia cristã com verdades eternas.

  • O Hobbit, de J.R.R. Tolkien — mitologia com propósito, coragem e chamado à virtude.


Esses livros não apenas entretêm. Eles formam caráter. Eles ensinam sobre o mundo, sobre o mal, sobre o bem  e sobre o Deus que reina sobre tudo isso.


O que está plantado na imaginação vai florescer no coração


A leitura é uma das maiores ferramentas que temos para moldar o interior dos nossos filhos. Não apenas seus pensamentos, mas seus amores. Suas convicções. Seus afetos. E isso exige de nós, mães, uma vigilância amorosa, uma intenção constante.


Sei que nem sempre é fácil. Sei que as listas escolares nem sempre ajudam, a correria do dia-a-dia, o trabalho, as infinitas atividades nos castigam e desviam nossos olhares. Mas você pode com carinho, firmeza e visão oferecer algo melhor. Você pode ser aquela que filtra, que propõe, que direciona. E assim, com livros bons nas mãos e olhos atentos a verdade absoluta, formar leitores que glorificam a Deus.


Charlotte Mason, com sua sensibilidade única, nos lembra:

"A imaginação é o poder da alma que percebe, idealiza e encarna o bem. Se você nutrir a imaginação com o que é belo e verdadeiro, ela crescerá como um jardim cultivado."


E é exatamente isso que buscamos quando escolhemos com zelo os livros que colocamos diante dos nossos filhos.


Que a graça do Senhor te acompanhe nessa missão tão linda quanto desafiadora. Até o próximo post intencional.


Com carinho,



Mãe educadora clássica, Mestre em Microbiologia do solo e leitora vigilante.

 
 
 

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