- diaadiacomthiara
- 23 de jun. de 2025
- 10 min de leitura

Por Thiara Bruna
Em meio à uma rotina frenética de organizar os estudos das minhas filhas, planejar suas atividades e buscar o melhor ambiente educacional, sempre me vejo refletindo sobre o que realmente está por trás da formação educacional moderna. Será que compreendemos verdadeiramente as bases filosóficas do que está sendo ensinado às nossas crianças nas escolas e em nossos lares? Aliás, você já parou para pensar que não se ensina ou pouco se fala sobre filosofia de verdade nas escolas, que as ideias dos grandes pensadores como Sócrates e Platão foram ignoradas da grade curricular dos nossos filhos?
Isso apenas reflete uma mudança radical na educação moderna, que deixou de formar pensadores para formar apenas trabalhadores. Ao excluir intelectuais como Sócrates e Platão, o sistema abandona a busca pela verdade, pela razão e pelos valores absolutos, favorecendo o relativismo¹ e a obediência cega a ideologias. Sem filosofia, perde-se a capacidade de pensar com clareza e de viver com propósito. E eles sabem muito bem disso.
Com bem disse G. K. Chesterton :
"A filosofia não serve para nada e é justamente por isso que ela é essencial.”
Temos e devemos nos perguntar: O que realmente molda o intelecto e o espírito de uma criança em um ambiente de aprendizado, e quais são os perigos ocultos em filosofias educacionais adotadas pelas escolas que, à primeira vista, parecem inofensivas? Sabemos reconhecer quando uma proposta pedagógica contradiz a verdade de Deus e mina as bases do ensino cristão?
¹Ensina que não existe verdade absoluta, apenas opiniões pessoais. Mas a fé cristã afirma que Deus é a verdade, e Sua Palavra é eterna e não muda.
A educação não é neutra
A educação nunca é neutra, nem um fim em si mesma. Toda escola e todos nós ensinamos a partir de uma cosmovisão (breve um post aqui sobre isso), e isso muda absolutamente tudo. E salvo raras exceções, como as escolas Cristãs Clássicas, a maioria está imersa no que elas chamam de método construtivista, que molda não apenas o ensino, mas também a forma como a criança vê o mundo, a verdade e a autoridade. Mas, ao contrário do que eles dizem ou que muitos pensam, o construtivismo não é um método de ensino. Nada mais é do que uma filosofia educacional de base anticristã, nascida no solo do evolucionismo e do marxismo. Segundo essa filosofia, o conhecimento não é transmitido, mas "construído" pelo aluno. Vamos entender?
Ora, como esperar que uma criança, ainda sem maturidade para compreender o mundo, forme seu caráter e descubra o conhecimento sozinha e sem guia, sem direção, sem verdade? Criança não descobre sozinha verdades complexas! Pois bem é isso que eles pregam.
Ao contrario a palavra de Deus nos diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar...” (Provérbios 22:6). O verbo é ativo: ensinar, não "mediar descobertas", muito menos ir sozinha.
A autoridade e a hierarquia é algo tão forte que me faz lembrar que Jesus mesmo sendo filho de Deus, seu ministério público só começa por volta dos 30 anos, mostrando o valor da maturidade, do preparo e da autoridade legítima para só depois ensinar (Lucas 3:23).
Já o professor nessa filosofia ele deixa de ser um mestre com autoridade e torna-se um mero mediador. Atenção não se esqueça, quando a figura do mestre, do guia ou da autoridade é rejeitada, estamos ensinando nossos filhos a desconsiderar outras autoridades e pior para não aceitar a Cristo.
“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre.” (Lucas 6:40).
Outro problema é que princípios como memorização, repetição e o ensino formal são vistos como desnecessários ou ultrapassados. Agora pensem um pouco: os filhos de vocês estão sendo incentivados a memorizar a tabuada ou estão levando calculadoras para a escola? Estão aprendendo a conjugar verbos ou a gramática está sendo deixada de lado? Estão aprendendo os estados e capitais do nosso país ou dos principais países do mundo? E mais: estão decorando versículos bíblicos ou apenas ouvindo histórias moralistas e superficiais? Estão treinando caligrafia ou já foram direto para o teclado? Estão escrevendo redações com estrutura ou apenas “expressando ideias”? Estão sendo ensinados a ler em voz alta com entonação ou apenas folheando livros ilustrados? Sabem fazer contas de cabeça ou dependem da calculadora até para somar dois números simples? Estão aprendendo lógica e raciocínio ou apenas “resolvendo problemas” sem fundamentos? Tudo isso revela o quanto a formação profunda está sendo trocada por uma aprendizagem superficial, dependente e frágil.
Agora que expliquei alguns dos problemas do construtivismo, vamos entender sua real natureza?
Um breve comentário sobre a origem Questionável de uma Filosofia Sedutora
O construtivismo tem suas raízes em Piaget e Vygotsky, psicólogos que não reconheciam Deus como Criador e se apoiavam em fundamentos marxistas. Sua pedagogia ignora o fato de que Deus criou o homem com habilidades para aprender, raciocinar e resolver problemas em estado de desenvolvimento, que precisam ser guiadas por autoridade, estrutura e verdade. A família é o primeiro ambiente dessa formação, e o professor é um instrumento vital nesse processo, como dom espiritual dado por Deus.
Efésios 4:11 diz: "E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres".
O escritor John Taylor Gatto, nos traz luz a algo importante:
“A função central das escolas… tem sido separar as crianças dos pais.” (Dumbing Us Down: The Hidden Curriculum of Compulsory Schooling”).
É evidente que a ausência de educação formal, junto ao encorajamento para que a criança "explore" de maneira autônoma, resulta em um alarmante subdesenvolvimento intelectual, fazendo com que algumas atinjam um verdadeiro "subdesenvolvimento cognitivo". A eliminação de regras e da memorização culminou em uma "crise gramatical, de interpretação textual e de inteligência no mundo".
Um lugar para entretenimento
Tudo isso me preocupa profundamente e me confronta diariamente. Como é possível que continue passando despercebido por nós, pais cristãos? Um dia prestaremos contas a Deus pelos filhos que Ele nos confiou, e por isso não podemos permanecer passivos. Precisamos agir. A escola, que deveria ser um ambiente de formação intelectual e moral, tem se tornado cada vez mais um centro de entretenimento. A escola existe para ensinar e não para entreter. Para diversão, existem o clube, o parque, o passeio no shopping. E claro, ensinar não precisa ser sinônimo de tédio. A aula deve ser viva, envolvente, mas sempre com propósito, verdade e profundidade. O que temos visto, porém, são eventos que apenas distraem: “dia do cabelo maluco”, festas de Halloween, bloquinhos e outras celebrações vazias que ocupam o tempo e esvaziam o conteúdo. São tantas atividades superficiais que roubam o que deveria ser o essencial: o saber, a virtude, a verdade.
Outro dia, minhas filhas chegaram em casa contando que ia ter uma “festa das cores” na escola. Curiosa, perguntei qual era o propósito da atividade, e a resposta me desanimou: “É só para celebrar as cores, mamãe.” Aquilo me pareceu uma brincadeira de mau gosto. Será que é esse o papel da escola? Onde foram parar os projetos que realmente formam? Pasmem: na escola das minhas filhas e de muitos pais que já conversei relataram que não existe feira de ciências. Uma das poucas iniciativas boas que me faziam lembrar de uma escola séria simplesmente desapareceu.
Hoje, muitas escolas nem sequer trabalham mais a redação como prática regular. Simplesmente colocam as crianças para “interpretar textos”, sem qualquer base de gramática, estrutura ou lógica do pensamento. Noutras, os materiais didáticos de História são verdadeiros panfletos ideológicos, recheados de temas como ideologia de gênero, aborto, racismo sob viés marxista, feminismo e mentoria centrada no “eu”. Tudo isso é embalado por nomes atrativos como “disciplina positiva” ou “pedagogia das emoções” (em breve trarei um post sobre isso). Mas a verdade é que esses métodos são aplicados a crianças que sequer formaram seu imaginário como poderiam, então, ter opinião formada sobre temas tão densos? É claro que não estão prontas para esse tipo de exposição. Antes de serem levadas a opinar, elas precisam ser ensinadas a pensar e pensar com clareza requer conteúdo, ordem, beleza e verdade.
E a chamada “feira literária”? Na prática, tornou-se apenas um evento comercial e venda de livros famosos, mas rasos, como Diário de um Banana, Diário de Pilar, Judy Moody e dentre outros..(clique aqui para ler um post sobre isso: https://diaadiacomthiara.wixsite.com/diaadiacomthiara/post/formação-pela-leiturapor-que-seus-filhos-precisam-de-bons-livros-e-não-apenas-de-livros), além de ursinhos e adereços que nada têm a ver com o propósito real da leitura. Nada contra os enfeites, mas onde estão as palestras enriquecedoras? As leituras em voz alta? Os livros clássicos? As dramatizações de contos de fadas que alimentam a imaginação e a virtude?
E já observaram que não existe mais livro didático? Só apostilas (isso aqui é um assunto tão extenso que daria um novo post), que de nada acrescentam, com conteúdo raso e superficial com uma mera justificativa de preparar os alunos para o vestibular! Que grande mentira, isso nada mais é do que um sistema para ganhar nosso dinheiro suado, uma parceria das escolas com grandes empresas ou governo!
E a lista de livros paradidáticos deles? Os da minha filha mais velha, honestamente, vão de mal a pior, se eu não tivesse inserido bons livros o que iria ser da formação literária dela? O único que parecia se salvar era um livro de fábulas de Esopo, mas… recontada por Monteiro Lobato. Nada contra o autor e estamos a falar do mais popular nome da literatura infantil brasileira, mas se existe o texto original, por que apresentar à criança uma releitura como primeiro contato com a obra? Por que não apresentar o texto origina, clássico, belo e completo?
Nada disso é por acaso. O que temos visto é resultado direto da adoção do construtivismo pela maioria das escolas brasileiras. Isso é intencional. As escolas seguem uma agenda alinhada com políticas e diretrizes assumidas pelo nosso governo. E aqui nem estou me referindo às escolas públicas esse é um capítulo à parte, que merece sua própria análise.
Mas talvez você esteja se perguntando: “Como saber se a escola do meu filho(a) segue essa filosofia?” A resposta está nos sinais: ela se encaixa em muitos dos pontos que mencionei ao longo deste texto? A ausência de ensino formal, o abandono da memorização, a superficialidade dos conteúdos, o excesso de eventos sem propósito, a lista literária vazia, a figura do professor esvaziada? Então, bem-vindo(a): é bem provável que você esteja dentro de uma escola construtivista, algumas mais sutis, outras mais descaradas. E o que fazer diante disso?
Existe uma boa, bela e verdadeira maneira de educar nossos filhos e de preencher tais lacunas e é isso que vem transformando a realidade da minha casa: A educação Cristã Clássica.
A resposta cristã: recuperar as ferramentas da educação clássica
Ao contrário do que o construtivismo e a educação moderna trouxe, se voltarmos um pouco na história ela nos mostra que a compreensão das fases do desenvolvimento da criança não é uma invenção recente. Civilizações antigas, como os gregos e romanos, já respeitavam e incorporavam essas fases em seus métodos educacionais há milênios. Eles sabiam, por exemplo, que um menino grego não entrava na escola antes dos sete anos, e as mães gregas conheciam o poder da educação oral e as idades apropriadas para cada tipo de aprendizado. Essa sabedoria milenar, que valorizava o estudo das regras e a memorização, foi o padrão até o século XIX, eles ensinavam a luz da educação clássica.
Essa educação reconhece que toda forma de aprendizado molda o caráter. Ela valoriza a instrução formal, a memorização e a repetição como "vetores do conhecimento", pois são faculdades dadas por Deus.... O professor é um "mestre" com autoridade, um dom do Espírito Santo, que organiza e apresenta o saber de forma sistemática. Essa relação de hierarquia, onde alguém que sabe mais ensina a quem sabe menos, é implícita e fundamental para o aprendizado.
Douglas Wilson, em Recovering the Lost Tools of Learning, lembra:
“O ensino clássico cristão parte do princípio de que há uma verdade objetiva, e que essa verdade pode e deve ser ensinada à próxima geração com clareza, ordem e autoridade.”
Essa é a visão que precisamos restaurar. A educação é uma transmissão de verdade, não uma experiência subjetiva. O mestre ensina porque sabe mais. O aluno aprende porque foi criado por Deus com capacidade para receber, repetir, meditar e crescer.
“Para ensinar eficazmente, o mestre deve saber aquilo que ensina e amar essa verdade com intensidade.” — John Milton Gregory.
Foi exatamente isso que comecei a fazer aqui em casa. Percebi que havia muita coisa que precisava ser corrigida e reorientada, e embora o homeschooling ainda não seja uma realidade para mim neste momento e por muitos motivos (e acreditem, não é por falta de desejo!), isso é um capítulo à parte. Mesmo não podendo educar em casa integralmente, comecei a fazer afterschool (em breve um post completo sobre isso), e posso afirmar com toda convicção: foi a melhor decisão que tomei nos últimos dez anos. É no contraturno que eu consigo colocar as coisas no lugar e rever conteúdos, restaurar valores, corrigir rotas e, acima de tudo, formar corações. Tem sido uma bênção na minha casa.
Quero trazer esse tema com ainda mais força aqui no blog e dizer, com alegria e esperança: sim, existe um caminho mesmo que parcial e ele pode transformar a rotina e a formação dos vossos filhos.
Aplicação e Conclusão Prática
Mães e pais, professores e educadores, todos nós, somos exortados a ser vigilantes e intencionais em nossas escolhas educacionais. Nenhum cristão deveria abraçar o construtivismo ou suas vertentes, pois são fundamentalmente anticristãos. Devemos ser vigilantes em nossas escolhas educacionais. O construtivismo e suas ramificações, opõem-se aos princípios cristãos.
Precisamos restaurar a metodologia Cristã Clássica, priorizando a Bíblia e a autoridade do professor. Comece na sua casa, quando seu filho chegar da escola, olhe as lacunas que não estão sendo preenchidas e as faça. Ore a Deus para lhe dar sabedoria e discernimento e muita coragem para ir contra ao que o modernismo nos trouxe. Não se esqueça que a família é o núcleo de socialização e desenvolvimento da criança. Pais e educadores cristãos devem ensinar com firmeza, pois a falta de instrução leva à perdição.
“Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6:6-7).
Nosso objetivo sempre será oferecer uma educação que glorifique a Deus, alicerçada na verdade e na autoridade do ensino. Portanto, nosso caminho é claro: oferecer aos nossos filhos e aos alunos uma educação que honre a Deus, baseada na verdade absoluta, na autoridade do ensino e na valorização das faculdades que Ele nos deu para aprender.
Não tenham medo de assumir a direção. Ensine. Instrui. Exorte. Corrija. Rejeita o construtivismo e qualquer filosofia que negue a verdade absoluta, a autoridade do mestre e de Cristo e do papel insubstituível da família.
Como diz a Escritura: “Meu povo perece por falta de conhecimento”. (Oséias 4:6)
Que o Senhor te acompanhe e te mantenha firme e vigilante nesse caminho. Até o próximo post intencional. Ah, se te edificou e você deseja compartilhar algo comenta aqui, eu vou amar saber disso!
Com Amor e carinho,

Mãe educadora clássica, Mestre em Microbiologia do solo, em vigilância fiel pelo coração das minhas filhas.




